Muitas pessoas tratam a dor nas costas como algo passageiro e não procuram a ajuda adequada de um profissional, o que é um risco para a saúde. Se esse é o seu caso, saiba que se trata de um alerta do organismo de que algo vai mal. “A maioria não cuida das causas, só dos sintomas, usando relaxantes musculares e anti-inflamatórios”, adverte Mauricio Mandel, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que um terço dos brasileiros tem alguma complicação nessa parte do corpo. E os motivos são diversos: ortodônticos, posição de dormirpostura incorreta, entre outros.
Por ser um mal que atinge tanta gente e que está relacionado a diferentes questões médicas, pedimos ao neurocirurgião Mauricio e à fisioterapeuta Camila Fernanda Borba Rebelo para esclarecer os mitos e verdades sobre o assunto para que você possa cuidar bem da sua coluna.
Pessoas com quilos a mais têm mais dores?
MEIA VERDADE: Camila diz que o sobrepeso é um fator agravante, pois a região lombar é responsável por suportar aproximadamente 70% do peso corporal em alguns movimentos. “A questão é não descuidar da postura correta e fortalecer músculos abdominais e dorsais, o que todos devem fazer, independentemente do peso”, ensina a fisioterapeuta.
Questões ortodônticas têm ligação com o desconforto?
VERDADE: alterações das curvaturas da região cervical estão associadas: quando a pessoa tem a mordida desalinhada ou então sobrecarrega a mandíbula, o resto do corpo se adapta, e podem surgir reflexos.
Dormir em uma superfície dura (chão ou colchão) é bom para as costas?
MITO: o médico explica que a rigidez provoca uma contratura muscular, que é quando os músculos contraem de forma errada e não voltam a relaxar. “O ideal é repousar de lado, com um travesseiro entre as pernas”, revela Mauricio.
Cruzar as pernas é ruim?
MITO: apesar de mudar a posição da área pélvica, esse hábito não é motivo de problemas.
Estalar o pescoço faz mal?
VERDADE: esse ato traz consequências para as articulações. “Dependendo da frequência, ocasiona dores cervicais e de cabeça. Por isso, deve ser evitado”, indica o médico.
Quem fuma tem complicações?
VERDADE: esse é mais um dos males que o cigarro traz para a saúde, já que as substâncias tóxicas inaladas prejudicam a circulação do sangue no disco intervertebral, causando incômodo.
Ficar muito tempo em frente ao computador é prejudicial?
MITO: o ponto aqui é o posicionamento e não a quantidade de horas. O neurocirurgião ensina a maneira correta de se posicionar:
  • mantenha o centro da tela na altura dos olhos;
  • não deixe o pescoço inclinado para baixo;
  • aproxime a cadeira da mesa, fique com o bumbum o mais próximo do encosto e mantenha-se ereta;
  • os braços e as pernas precisam formar ângulos de 90 graus;
  • faça pausas para alongamentos.
O salto alto é um vilão?
VERDADE: quando o sapato é muito “alto” (mais do que 4 cm), a mulher força a curvatura da coluna para manter o equilíbrio, o que resulta em complicações.
Bolsa pesada influencia na dor?
VERDADE: o mais indicado é usar o acessório da forma mais leve possível (o equivalente a 15% do seu peso, no máximo) e que a alça seja transversal e ajustada à sua altura. Quem precisa carregar muitos itens deve optar por uma mochila.
Existe relação com o uso frequente de motocicletas e/ou bicicletas?
VERDADE: “A posição típica de quem usa esses veículos, principalmente para quem não tem músculos dorsais fortalecidos, favorece o aumento de uma curvatura da coluna chamada cifose torácica, que resulta em fortes dores”, afirma a fisioterapeuta.
Quem dirige por vias esburacadas ou que provoquem trepidação está exposto?
VERDADE: a pressão que esses desníveis causam pode repercutir nos discos intervertebrais, conhecidos popularmente como “amortecedores naturais da coluna”.
Mães com filhos pequenos que ficam muito no colo correm riscos?
MEIA VERDADE: o ideal é não carregar a criança por muito tempo. Se for realmente necessário, alterne os lados do corpo e complemente com atividades físicas de fortalecimento dos músculos da cintura, abdominais e dorsais.

 

 

Jr. Pires de Campos, Professor